NT-2026.10.02 DOSSIÊ

NESSUS PARA INICIANTES: GUIA PRÁTICO DE VULNERABILITY SCANNING

Aprenda a usar o Nessus para identificar vulnerabilidades, configurar scans, interpretar resultados e aplicar boas práticas de vulnerability assessment.

Nessus Vulnerability Scanning: da instalação ao primeiro scan, interpretação de resultados e validação.

Introdução ao Nessus

O Nessus, desenvolvido pela Tenable Network Security, é um dos vulnerability scanners mais amplamente utilizados no mundo. Desde sua criação em 1998 por Renaud Deraison, a ferramenta evoluiu para se tornar um padrão da indústria em vulnerability assessment.

Este guia foi escrito para iniciantes que desejam aprender a utilizar o Nessus na prática: desde a instalação até a interpretação dos resultados, passando pela validação de findings e priorização de correções.

Importante: Este guia assume que você possui um ambiente de laboratório autorizado (máquinas virtuais, rede isolada) para praticar. Nunca execute scans contra sistemas sem autorização explícita por escrito.

O que é o Nessus?

O Nessus é um vulnerability scanner que automatiza a descoberta de vulnerabilidades em sistemas, redes e aplicações, verificando:

  • Versões de software e serviços expostos
  • Configurações inseguras (compliance)
  • Patches de segurança ausentes
  • Vulnerabilidades conhecidas (CVEs)
  • Credenciais padrão ou fracas
  • Malware e backdoors

Versões principais:

  • Nessus Essentials (gratuito): até 16 IPs, ideal para aprendizado e labs
  • Nessus Professional: para pentesters e consultores, scans ilimitados
  • Nessus Expert: inclui web app scanning, container scanning, IaC scanning
  • Tenable.sc / Tenable.io: plataformas enterprise para gestão contínua de vulnerabilidades

O Nessus utiliza plugins escritos em NASL (Nessus Attack Scripting Language) — cada plugin testa uma condição específica de vulnerabilidade. Atualmente existem mais de 180.000 plugins disponíveis.

Vulnerability Assessment vs Vulnerability Scanning

É fundamental entender a diferença:

Conceito Descrição
Vulnerability Scanning Execução automatizada de ferramenta (ex: Nessus) para identificar vulnerabilidades conhecidas. Gera lista bruta de findings.
Vulnerability Assessment Processo completo: scanning → análise → validação → priorização → remediação → verificação. Envolve julgamento humano.

O Nessus executa o scanning. O profissional de segurança executa o assessment.

Um scan bruto gera ruído (false positives, findings irrelevantes, duplicatas). O assessment transforma esse ruído em decisões acionáveis: o que corrigir primeiro, o que aceitar como risco, o que mitigar com controles compensatórios.

Conceitos Fundamentais

Antes de usar o Nessus, é essencial entender seus blocos de construção:

Conceito O que é Por que importa
CVE Common Vulnerabilities and Exposures — identificador único de vulnerabilidade pública Referência padronizada para pesquisar, rastrear e corrigir
CVSS Common Vulnerability Scoring System — pontuação de severidade (0.0 a 10.0) Ajuda a priorizar: Critical (9.0-10.0), High (7.0-8.9), Medium (4.0-6.9), Low (0.1-3.9)
Plugin Teste individual escrito em NASL que verifica uma condição específica Cada plugin = um teste. O Nessus tem 180k+ plugins.
Policy Conjunto de configurações: quais plugins rodar, credenciais, safe checks, performance Define como o scan é executado. Templates: Basic Network Scan, Advanced Scan, Web App Scan, etc.
Target IP, range CIDR, hostname, ou lista de hosts a serem escaneados Define o escopo. Pode ser um IP, uma rede (192.168.1.0/24), ou arquivo com lista.
Scan Execução de uma policy contra targets Gera findings. Pode ser agendado, único, ou recorrente.

Dica: Sempre use credentialed scans (scans autenticados via SSH/WinRM/SMB) quando possível. Eles revelam muito mais: patches ausentes, configurações locais, software instalado, registry keys.

Instalação Linux

A referência original demonstra a instalação no Ubuntu 18.04 usando o pacote .deb. Os passos atuais para Ubuntu/Debian modernos:

Linux (Ubuntu/Debian):

# 1. Baixe o .deb do site oficial (tenable.com/downloads/nessus)
wget https://www.tenable.com/downloads/api/v2/pages/nessus/files/Nessus-10.8.3-ubuntu1604_amd64.deb

# 2. Altere permissão e instale
chmod +x Nessus-*.deb
sudo dpkg -i Nessus-*.deb

# 3. Inicie e habilite o serviço
sudo systemctl start nessusd
sudo systemctl enable nessusd

Windows:

  1. Baixe o .msi do site da Tenable
  2. Execute o instalador (next/next/finish)
  3. O serviço Nessus inicia automaticamente

Acesso Web:

  • Abra navegador em https://localhost:8834
  • Aceite o certificado auto-assinado (Advanced → Accept Risk)
  • Crie conta de administrador
  • Insira código de ativação (recebido por email ao registrar no site da Tenable)
  • Aguarde download/compilação dos plugins (pode levar 10-30 min na primeira vez)

Nota sobre versões: A referência utiliza Nessus 8.2.3 (2019). A versão atual (2024) é 10.8.x. A interface e fluxo permanecem essencialmente os mesmos, mas a numeração de versão e alguns caminhos de download mudaram. Os screenshots da referência continuam válidos para demonstrar o fluxo visual.

Comando chmod 777 e dpkg -I para instalação do pacote .deb do Nessus
Evidência técnica: Instalação Linux – chmod e dpkg

Inicialização do Serviço

Após a instalação do pacote .deb, inicie o serviço Nessus:

sudo systemctl start nessusd
sudo systemctl enable nessusd

O serviço nessusd ficará ativo e escutando na porta 8834.

Comando /etc/init.d/nessusd start para iniciar o serviço Nessus
Evidência técnica: Inicialização do serviço

Acesso Web e Certificado

Acesse a interface web em https://localhost:8834. Como o Nessus usa certificado auto-assinado, o navegador exibirá um aviso de segurança.

  1. Clique em Advanced (Avançado)
  2. Clique em Accept the Risk and Continue (Aceitar o risco e continuar)

Isso é esperado em laboratório. Em produção, configure certificado válido.

Aviso de certificado auto-assinado no navegador ao acessar https://localhost:8834
Evidência técnica: Aviso de certificado

Criação de Conta Admin

Após aceitar o certificado, o Nessus solicitará a criação de uma conta de administrador:

  • Username: escolha um nome (ex: admin)
  • Password: defina senha forte
  • Confirm: repita a senha

Clique em Submit para criar a conta.

Tela de criação de conta de administrador no Nessus
Evidência técnica: Criação de conta

Ativação com Código

Insira o código de ativação recebido por email ao registrar no site da Tenable (https://www.tenable.com/products/nessus/nessus-essentials).

  • Nessus Essentials: código gratuito para até 16 IPs
  • Professional/Expert: código de licença paga

Após inserir o código, aguarde o download e compilação dos plugins (pode levar 10-30 minutos na primeira execução).

Tela de inserção do código de ativação recebido por email
Evidência técnica: Código de ativação

Dashboard Principal

Após a ativação, você verá o dashboard principal do Nessus:

Menu lateral:

  • Scans — lista, cria, executa scans
  • Policies — gerencia templates de scan
  • Reports — exporta resultados (PDF, HTML, CSV, Nessus)
  • Settings — configurações globais: usuários, SMTP, proxy, plugin updates

Atualização de plugins: Settings → Plugin Updates → Check for updates (recomendado: auto-update diário).

Dica: Antes do primeiro scan, ajuste em Settings → Scanner → Advanced:

  • Max simultaneous hosts: 10-50
  • Max simultaneous checks: 5-10 por host
  • Scan timeout: 3600s
Dashboard principal do Nessus após ativação e download de plugins
Evidência técnica: Dashboard principal

Criação de Novo Scan

  1. Clique em Scans → New Scan
  2. Escolha um Template (Policy):
  • Basic Network Scan — bom ponto de partida
  • Advanced Scan — controle total de plugins
  • Web Application Scan — para apps web (requer Expert)
  • Malware Scan — foco em malware/backdoors
  • Compliance Scan — CIS, DISA STIG, PCI DSS
Tela de criação de novo scan com templates disponíveis
Evidência técnica: Novo scan

Templates e Policies

A aba Policies permite gerenciar e criar templates de scan personalizados. Cada policy define:

  • Quais plugins rodar (famílias, plugins individuais)
  • Credenciais para scans autenticados
  • Safe checks (ON/OFF)
  • Performance: max hosts, max checks, timeouts
  • Configurações de rede e porta

Templates pré-definidos cobrem os casos mais comuns.

Aba Policies mostrando templates de scan disponíveis
Evidência técnica: Aba Policies

Templates de Policy

Os templates disponíveis incluem:

  • Basic Network Scan: scan de rede padrão, não-credenciado
  • Advanced Scan: controle granular de cada plugin
  • Web Application Scan: foco em vulnerabilidades web (OWASP Top 10)
  • Malware Scan: detecção de malware, backdoors, C2
  • Compliance Scan: benchmarks CIS, DISA STIG, PCI DSS
  • Mobile Device Scan: iOS/Android (requer Expert)
  • SCADA/ICS Scan: protocolos industriais
Templates de policy disponíveis: Basic Network Scan, Advanced Scan, etc.
Evidência técnica: Templates de policy

Configuração do Scan

Após escolher o template, configure:

Basic Settings:

  • Name: Lab-Primeiro-Scan-2024
  • Description: Primeiro scan de laboratório - rede 192.168.10.0/24
  • Targets: 192.168.10.0/24 (ou IP único: 192.168.10.20)

Assessment (opcional):

  • Credentials: adicione SSH/Windows/SMB para credentialed scan
  • Scan Schedule: Once / Daily / Weekly / Monthly

Advanced (opcional):

  • Safe Checks: ON (evita checks que podem derrubar serviços)
  • Scan slow: para redes instáveis
  • Network: selecione interface se multi-homed

Clique Save → o scan aparece na lista, pronto para execução.

Configuração detalhada do scan com nome, descrição, targets e opções
Evidência técnica: Configuração do scan

Resultados do Scan

  1. Na lista de scans, clique no play (▶) ao lado do scan criado
  2. Status mudará: Pending → Running → Completed / Failed

Durante a execução:

  • Progress bar mostra % de hosts completados
  • Hosts discovered vai aumentando
  • Vulnerabilities found atualiza em tempo real
  • Elapsed time mostra tempo decorrido

Possíveis status:

  • Running — scan em andamento
  • Completed — finalizado com sucesso
  • Canceled — usuário parou
  • Failed — erro (credenciais, timeout, rede)
  • Paused — pausado pelo usuário

Dica: Scans credentialed demoram mais (15-60 min/host). Non-credentialed são rápidos (1-5 min/host) mas superficiais.

Tela de resultados do scan mostrando vulnerabilidades por severidade
Evidência técnica: Resultados do scan

Detalhes Vulnerabilidade Critical

Ao clicar em um scan concluído, você verá 4 abas principais:

1. Hosts — lista de hosts descobertos, com IP, OS detectado, portas abertas, contagem de vulns por severidade.

2. Vulnerabilities — lista consolidada de findings:

  • Severity (Critical/High/Medium/Low/Info) — cor codificada
  • Plugin Name — nome do plugin que detectou
  • Family — categoria (ex: Windows, Web Servers, Databases)
  • Count — quantos hosts afetados
  • Clique no nome → detalhes do finding

3. Remediations — agrupamento por solução

4. Compliance — se usou policy de compliance

Detalhes de um finding Critical (clique no nome):

  • Description — o que é a vulnerabilidade
  • Solution — como corrigir (patch, config change, workaround)
  • See Also — referências: CVE, Bugtraq, vendor advisory
  • Risk Factor — Critical
  • CVSS v3.1 Base Score + Vector String
  • Plugin Output — evidência específica: versão detectada, banner, output do comando
  • Hosts — lista de hosts afetados com porta/protocolo
Detalhes de vulnerabilidade Critical com CVE, CVSS e plugin output
Evidência técnica: Detalhes vulnerabilidade Critical

Detalhes Vulnerabilidade High

Finding de severidade High apresenta estrutura similar:

  • Severity: High
  • Plugin Name: ex: “SMB Signing not required”
  • Family: Windows
  • Risk Factor: High
  • CVSS v3.1: 7.0-8.9
  • Plugin Output: detalhes técnicos específicos (ex: configuração SMB, versões TLS)
  • Hosts: IPs afetados com porta/protocolo

Exemplo prático: TLS 1.0 habilitado, SMB signing desabilitado — ambos permitem ataques de downgrade e relay.

Detalhes de vulnerabilidade High com severidade, RPC, versão e detalhes técnicos
Evidência técnica: Detalhes vulnerabilidade High

Instalação Windows

  1. Baixe o .msi do site da Tenable (https://www.tenable.com/downloads/nessus)
  2. Execute o instalador (next/next/finish)
  3. O serviço Nessus inicia automaticamente
  4. Acesse https://localhost:8834 no navegador

O fluxo de configuração inicial (certificado, conta, ativação) é idêntico ao Linux.

Instalador do Nessus para Windows (.msi) sendo executado
Evidência técnica: Instalação Windows

Certificado Windows

Assim como no Linux, o Windows apresentará aviso de certificado auto-assinado ao acessar https://localhost:8834.

  • Clique em Advanced
  • Clique em Accept the Risk and Continue

O procedimento é idêntico ao Linux.

Aviso de certificado auto-assinado no Windows ao acessar a interface web
Evidência técnica: Certificado Windows

Conta Windows

Crie a conta de administrador no Windows:

  • Username: admin
  • Password: senha forte
  • Confirm: repita a senha

Clique Submit.

Criação de conta de administrador no Nessus Windows
Evidência técnica: Conta Windows

Ativação Windows

Insira o código de ativação recebido por email (Nessus Essentials, Professional ou Expert).

Aguarde download/compilação dos plugins (10-30 min na primeira vez).

Inserção do código de ativação no Nessus Windows
Evidência técnica: Ativação Windows

Scans Windows

Após ativação, a interface de scans no Windows é idêntica ao Linux:

  • Scans → New Scan
  • Escolha template (Basic Network Scan, etc.)
  • Configure targets (ex: 192.168.10.0/24)
  • Adicione credenciais Windows (SMB/WinRM) para credentialed scan
  • Execute e acompanhe resultados

Dica: No Windows, scans credentialed via WinRM/SMB fornecem detalhes de registry, patches KB, software instalado.

Interface de scans no Windows após ativação completa
Evidência técnica: Scans Windows

Severidade, CVE, CVSS e Classificação

O Nessus classifica findings em 5 níveis (Risk Factor):

Severidade CVSS v3.1 Base Significado Ação típica
Critical 9.0 – 10.0 Exploração remota fácil, impacto total Corrigir em 24-72h
High 7.0 – 8.9 Exploração provável, impacto alto Corrigir em 7 dias
Medium 4.0 – 6.9 Exploração condicional, impacto moderado Corrigir em 30 dias
Low 0.1 – 3.9 Exploração difícil, impacto baixo Corrigir em 90 dias
Info 0.0 Informativo, sem risco direto Revisar se necessário

CVSS v3.1 Vector String (ex: CVSS:3.1/AV:N/AC:L/PR:N/UI:N/S:U/C:H/I:H/A:H):

  • AV (Attack Vector): N=Network, A=Adjacent, L=Local, P=Physical
  • AC (Attack Complexity): L=Low, H=High
  • PR (Privileges Required): N=None, L=Low, H=High
  • UI (User Interaction): N=None, R=Required
  • S (Scope): U=Unchanged, C=Changed
  • CIA (Confidentiality/Integrity/Availability): H=High, L=Low, N=None

CVE — Identificador único (ex: CVE-2021-44228 = Log4Shell). Permite buscar detalhes no NVD, referências, exploits conhecidos.

Dica: O Nessus mostra Risk Factor (sua classificação interna) que pode diferir ligeiramente do CVSS puro, pois considera exploit availability, age, etc.

Falsos Positivos e Validação

O Nessus classifica findings em 5 níveis (Risk Factor):

Severidade CVSS v3.1 Base Significado Ação típica
Critical 9.0 – 10.0 Exploração remota fácil, impacto total Corrigir em 24-72h
High 7.0 – 8.9 Exploração provável, impacto alto Corrigir em 7 dias
Medium 4.0 – 6.9 Exploração condicional, impacto moderado Corrigir em 30 dias
Low 0.1 – 3.9 Exploração difícil, impacto baixo Corrigir em 90 dias
Info 0.0 Informativo, sem risco direto Revisar se necessário

CVSS v3.1 Vector String (ex: CVSS:3.1/AV:N/AC:L/PR:N/UI:N/S:U/C:H/I:H/A:H):

  • AV (Attack Vector): N=Network, A=Adjacent, L=Local, P=Physical
  • AC (Attack Complexity): L=Low, H=High
  • PR (Privileges Required): N=None, L=Low, H=High
  • UI (User Interaction): N=None, R=Required
  • S (Scope): U=Unchanged, C=Changed
  • CIA (Confidentiality/Integrity/Availability): H=High, L=Low, N=None

CVE — Identificador único (ex: CVE-2021-44228 = Log4Shell). Permite buscar detalhes no NVD, referências, exploits conhecidos.

Dica: O Nessus mostra Risk Factor (sua classificação interna) que pode diferir ligeiramente do CVSS puro, pois considera exploit availability, age, etc.

Priorização e Remediação

Finding ≠ Vulnerabilidade confirmada. O scanner reporta possíveis vulnerabilidades baseadas em assinaturas e heurísticas.

Causas comuns de false positives:

  • Version detection imprecisa (banner spoofing, backported patches)
  • WAF/IPS bloqueando exploit mas scanner detecta versão vulnerável
  • Configuração não-padrão que mitiga a vuln mas scanner não detecta
  • Honeypots / deception technology
  • Scanner não consegue autenticar para local check

Metodologia de validação:

  1. Leia o Plugin Output — qual a evidência exata? (versão, banner, output de comando)
  2. Verifique no host alvo — ssh user@host "comando de verificação"
  3. Consulte o vendor advisory — o patch existe? Já foi aplicado? (backporting comum em Linux)
  4. Teste de exploit controlado (apenas em lab) — o exploit funciona?
  5. Verifique compensating controls — WAF, EDR, firewall bloqueiam exploração?
  6. Documente — marque como false positive no Nessus com justificativa

Dica: No Nessus, clique no finding → Mark as False Positive → adicione nota. Isso remove do relatório e melhora futuros scans.

Exemplo Prático: Fluxo Completo

Priorização moderna vai além do CVSS Base:

Método O que considera Ferramenta
CVSS Environmental Asset value, security requirements, modified base Nessus, calculadora FIRST
EPSS Probabilidade de exploração nos próximos 30 dias FIRST EPSS API, Tenable
CISA KEV Vulnerabilidades ativamente exploradas agora CISA KEV Catalog, Tenable
Asset Criticality Valor do negócio, exposição, sensibilidade dos dados CMDB, asset inventory
Threat Intelligence Campanhas ativas, APTs visando seu setor TIP, feeds

Fluxo de remediação:

  1. Patch — aplicar update do vendor (ideal)
  2. Configuration Change — disable feature, change config, restrict access
  3. Compensating Control — WAF rule, EDR rule, firewall block, network segmentation
  4. Risk Acceptance — documentar, assinar, monitorar, revisar periodicamente

SLA sugerido:

  • Critical: 72h
  • High: 7 dias
  • Medium: 30 dias
  • Low: 90 dias

Validação pós-correção: Rode novo scan (targeted) apenas nos hosts/portas corrigidos para confirmar.

Nessus em Pentest e Red Team

Ambiente (fictício, autorizado):

  • Attacker: Kali Linux (192.168.10.10) com Nessus Essentials
  • Target: Windows 10 (192.168.10.20) + Ubuntu 22.04 (192.168.10.21)
  • Rede: 192.168.10.0/24 (laboratório isolado)

Fluxo:

  1. Scan Inicial (Basic Network Scan, targets 192.168.10.20-21, non-credentialed)
  • Resultado: 12 findings (3 High, 5 Medium, 4 Low)
  • High: SMB Signing not required, TLS 1.0 enabled
  1. Análise & Validação
  • SMB Signing: confirmado via smbclient -L //192.168.10.20
  • TLS 1.0: confirmado via openssl s_client -connect 192.168.10.20:443 -tls1
  1. Correção (Remediação)
  • Windows: Enable SMB Signing via GPO, disable TLS 1.0/1.1 no registry
  • Ubuntu: sudo apt update && sudo apt upgrade, disable TLS 1.0 no Apache/Nginx
  1. Re-scan de Validação (targeted scan nos mesmos hosts)
  • Resultado: 0 High, 1 Medium (TLS 1.2 only), 3 Low
  • Findings High eliminados → validação bem-sucedida

Lições:

  • Credentialed scan teria encontrado mais (patches ausentes, config registry)
  • Safe checks ON evitou instabilidade
  • Documentar cada passo para relatório final

Perspectiva Defensiva (Blue Team)

Como operadores de Red Team usam o Nessus:

  1. Recon passivo/ativo — Scan inicial mapeia attack surface: hosts vivos, portas, serviços, versões, OS.
  1. Attack Surface Mapping — Findings revelam:
  • Serviços expostos desnecessários (RDP, SMB, WinRM, SSH, DBs)
  • Versões vulneráveis (ex: EternalBlue, BlueKeep, PrintNightmare)
  • Configurações fracas (SMB signing off, NTLM relay possible, LLMNR enabled)
  1. Vulnerability Chaining — Encadear findings:
  • SMB relay + NTLM relay → Domain Admin
  • Kerberoasing (SPN scan) + AS-REP Roasting → credenciais de serviço
  • Web app vuln (RCE) → foothold → lateral movement via SMB/WMI
  1. Credential Reuse — Credenciais encontradas (default/weak) testadas em outros hosts via SMB/WinRM/SSH/RDP.
  1. Credentialed Scan pós-exploração — Após foothold, rodar credentialed scan a partir do host comprometido (pivot) para enumerar rede interna.

Importante: Red Team valida antes de explorar. O scan guia, não substitui a validação manual.

Boas Práticas e Erros Comuns

Como o Blue Team usa resultados do Nessus:

  • Exposure Identification — Mapear ativos expostos na internet e rede interna
  • Patch Prioritization — Focar em KEV + asset critical + CVSS High/Critical
  • Configuration Hardening — Findings de compliance (CIS, STIG) guiam hardening
  • Attack Surface Reduction — Desabilitar serviços desnecessários, segmentar redes
  • Detection Engineering — Plugin outputs viram regras de SIEM/EDR
  • Compliance Reporting — Relatórios para auditoria (PCI DSS, LGPD, etc.)

Métricas de maturidade de VA:

  • MTTR (Mean Time To Remediate) decrescente
  • Vulnerability aging controlado
  • Recorrência mínima de findings
  • Coverage expandindo (credentialed scans, novos segmentos)

Limitações do Nessus

Boa Prática Por que Erro Comum
Credentialed scans sempre que possível Revela 3-5x mais findings Usar só non-credentialed
Safe Checks = ON Evita derrubar serviços frágeis Desligar para “mais findings”
Scan windows definidas Evita impacto em produção Scan em horário comercial
Excluir IPs sensíveis Evita derrubar sistemas críticos (SCADA, medical, etc.) Scan everything
Segmentar scans por rede/função Melhor performance, relatórios focados Um scan gigante para tudo
Atualizar plugins antes de scan crítico Novos CVEs, novos plugins Plugins desatualizados
Documentar exclusões e justificativas Auditoria, compliance “Esqueci de excluir”
Re-scan após correção Valida se correção funcionou Assumir que patch funcionou

Performance tuning:

  • Max simultaneous hosts: 20-50
  • Max simultaneous checks: 5-10
  • Plugin timeout: 300-600s
  • Network timeout: 30-60s

Considerações Éticas e Legais

O que o Nessus NÃO faz bem (ou não faz):

Limitação Explicação
Zero-days Só detecta vulns com plugin publicado (CVE conhecido)
Vulnerabilidades lógicas/negócio BAC/IDOR, race conditions, auth bypass — requer análise manual/DAST
Client-side (XSS, CSRF) Cobertura limitada; use DAST dedicado (Burp, OWASP ZAP)
Custom code / SAST Código proprietário — use SAST (SonarQube, Checkmarx, Semgrep)
Encrypted traffic (TLS 1.3, cert pinning) Scanner não inspeciona payload criptografado
IoT/OT protocols proprietários Cobertura parcial; use scanners especializados
Scan evasion Fragmentação, timing, encoding podem burlar detecção
Credential management Vault integration limitada; rotação manual

Responsabilidade do analista:

  • Finding ≠ Vulnerabilidade confirmada — valide sempre
  • CVSS Base ≠ Risco real — contextualize com asset value, threat intel
  • Compliance ≠ Segurança — checklist ≠ postura real
  • Tool Output ≠ Relatório — adicione contexto, evidência, recomendação

Conclusão

Use o Nessus apenas em:

  • Ativos de sua propriedade
  • Ambientes com autorização explícita, por escrito (Rules of Engagement)
  • Pentest/Red Team/VA com escopo e regras definidos
  • Laboratórios controlados e autorizados

Proibições absolutas:

  • Scan de infraestrutura de terceiros sem autorização
  • Uso de findings para acesso não autorizado
  • Compartilhamento de relatórios com dados sensíveis sem controle
  • Tentativa de exploração fora do escopo
  • Uso de credenciais encontradas (default/weak) fora do contexto autorizado

Legislação aplicável:

  • Brasil: Lei nº 12.737/2012 (Carolina Dieckmann), Lei nº 13.709/2018 (LGPD)
  • EUA: CFAA (Computer Fraud and Abuse Act)
  • EU: GDPR (Art. 32 — security of processing)
  • Internacional: Budapest Convention on Cybercrime

Responsible Disclosure: Se descobrir zero-day durante scan autorizado, reporte ao vendor via canal oficial (ex: Tenable ZDI, vendor security@) antes de divulgar publicamente.

Data Handling: Findings podem conter PII, credenciais, IPs internos. Trate relatórios como confidenciais. Criptografe em trânsito e em repouso. Retention policy definida.